sexta-feira, fevereiro 13, 2004

Egocentrismo fraternal

Devido aos meus pais, à força das circunstâncias e também ao meu feitio, tive sempre a tendência para ser "paizinho" dos meus irmãos mais novos. Aliás, acho que era mais responsável na altura, do que hoje. Custa-me e faz-me impressão falar aos meus irmãos de brincadeiras que eram só nossas, e de quando eles descobriram aquelas palavras e durante uma semana não diziam outra coisa, e dos baldes enormes de cereais diferentes, smarties e chocolates que eu lhes preparava, de quando eu ficava irmão babado encostado ao berço enquanto eles me puxavam os cabelos e davam palmadas e riam, riam, riam... e pura e simplesmente não se lembrarem de nada agora. Quer dizer, não os censuro nem o posso fazer, afinal de contas eram bebés... mas sempre pensei só vir a sentir isto daqui a muitos anos, e em relação aos meus filhos (assunto que por ora está de lado, como é óbvio eheh).

E este pequenino que ainda ontem pedia por mim, já estava tão crescido, que mais dia menos dia deixaria de precisar que eu lhe aconchegasse o cobertor depois dele adormecer. O outro já nem se fala, mais novo que eu, mas bastante mais alto que eu. Só que a caminho da sala, oh surpresa das surpresas (lol), lá estava ele, enorme e grandalhão, também todo torto e destapado, desta feita no sofá. Aconcheguei-lhe o cobertor também.

Parece que do alto de um metro e vinte ou do alto de um metro e oitenta, há sempre ali algo de frágil para abraçar (ou para aconchegar no cobertor).

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