segunda-feira, fevereiro 02, 2004

II

Este ano prometia ser diferente. Mas prometia mesmo! Por um lado, a minha grande paixão de sempre estava exilada em Espanha e deixara-me seco, inerte e com um profundo gosto pelo sarcasmo e pela ironia mordaz, por outro, uma turma desconhecida, retalhada, e com o triste epíteto de "A Turma Dourada", visto estarem reunidas grandes cabeças e, igualmente, grandes egos.

Tinha a convicção de que, aliado a muito esforço e suor e alguma sorte, eu iria conseguir manter-me afastado de toda e qualquer emoção, tornar-me um ser robótico de aspecto ligeiramente humanóide, e deixar definhar-me até que chegasse ao ponto em que a comparação mais adequada entre mim e outra coisa, fosse a de que eu parecia uma uva seca, pequena, dura, mirrada, sobre e para si mesma.

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