segunda-feira, junho 28, 2004

Conto de uma tarde de Verão

Aconteceu, como num sonho, uma miragem rarefeita, um oásis de prazer. Agarrados como se disso dependesse a vida (ou o nosso amor, que é mais importante que a própria vida) e já entranhados um no outro pelo suor e pelo olhar, amámo-nos sem cessar, como o fazemos sempre, a cada momento, desde que nos conhecêmos... o calor, o sentir, as gotas, o cheiro profano do sexo, escorriam de mim para ti com gosto, já nem eram meus; também não eram teus, são nossos.

Sorrimos.

Pediste-me para dançar, ao som da Carta daquele que ouvimos naquela noite especial; a música era um pretexto terreno, porque vivemos no plano etéreo onde sempre que pensamos um no outro (e como pensamos...) a música é nossa e só nos a ouvimos, se bem que outros a sintam quando irradia o que somos um para o outro. Outra vez agarrados, entranhados desde sempre, com os olhos fechados de quem conhece o corpo do outro de cor como se fosse o próprio, dançámos até a música parar e depois, no silêncio da nossa própria canção. Queria dizer-te tantas coisas, se tu imaginasses...

...mas tu imaginas, e sentes (eu sei). Quando os teus braços se recolocaram e a tua cabeça poisou daquela maneira em mim, percebi perfeitamente o que me dizias. E respondi-te que sim. Para sempre. Sem o dizer.

Amo-te.

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