domingo, junho 06, 2004
(R)evolução dos (Es)cravos II
A democracia é a mais perfeita e dissimulada forma de ditadura; uma sensacional artimanha engendrada pela ditadura para que esta governe a seu bel prazer e passe despercebida, conseguindo no entanto atingir os seus propósitos.
Porque enquanto em ditadura, sentimo-nos no extremo, estamos "oficialmente" privados da nossa liberdade, vivemos num "anything goes" com vista ao escapar da clausura a que estamos remetidos. Em democracia, por outro lado, sentimo-nos livres. Sentimos que somos livres. E poucos são os que estão conscientes da falsa liberdade que nos é concedida, e das atrocidades que são cometidas. Porque "afinal de contas somos livres e podemos fazer o que quisermos, ninguém manda em mim". Pobres coitados. Coio de indigentes, tristes carneiros que caminham alegres e contentes para o abismo. Assim, deixamos que abusem de nós. Afinal de contas somos livres, ninguém abusa de nós. Assim, os nossos sindicatos, as nossas associações, os nossos representantes, não são ouvidos. Mas tudo bem, afinal de contas, somos livres.
Como sentimos esta falsa liberdade e que não estamos num extremo, não nos indignamos, está tudo bem, e as gerações seguintes que se amanhem, não vão saber o que foi Abril, não vão saber o que é uma revolução, terão distorcidos para eles os valores e os princípios que (n)os deveriam reger, para eles a liberdade vai ser a situação pré-definida em que nascem (meus filhos, a liberdade é uma maluca que não sabe quanto vale um beijo... aprendam...) e com isto prosseguirá algo que é cada vez mais visível e gritante, ou seja, a falta de interesse pelas causas e pelas lutas. Elas existem, acreditem.
Um exemplo: na altura do 17 de Abril, reinvindicava-se fervorosamente um direito que hoje, novamente, corre o risco de nos ser vedado, estudantes -a presença no Senado. Na altura, esta questão era fulcral, todo o estudante a conhecia e, fosse da mais extrema esquerda ou da mais extrema direita, era uma causa pela qual se lutava. Hoje, ninguém sabe, ninguém quer saber.
(vem aí o Euro 2004, viva o Euro no País do futebol, os gregos vêm aí, por favor inventem-nos um novo sistema político, que este já está gasto)
Porque enquanto em ditadura, sentimo-nos no extremo, estamos "oficialmente" privados da nossa liberdade, vivemos num "anything goes" com vista ao escapar da clausura a que estamos remetidos. Em democracia, por outro lado, sentimo-nos livres. Sentimos que somos livres. E poucos são os que estão conscientes da falsa liberdade que nos é concedida, e das atrocidades que são cometidas. Porque "afinal de contas somos livres e podemos fazer o que quisermos, ninguém manda em mim". Pobres coitados. Coio de indigentes, tristes carneiros que caminham alegres e contentes para o abismo. Assim, deixamos que abusem de nós. Afinal de contas somos livres, ninguém abusa de nós. Assim, os nossos sindicatos, as nossas associações, os nossos representantes, não são ouvidos. Mas tudo bem, afinal de contas, somos livres.
Como sentimos esta falsa liberdade e que não estamos num extremo, não nos indignamos, está tudo bem, e as gerações seguintes que se amanhem, não vão saber o que foi Abril, não vão saber o que é uma revolução, terão distorcidos para eles os valores e os princípios que (n)os deveriam reger, para eles a liberdade vai ser a situação pré-definida em que nascem (meus filhos, a liberdade é uma maluca que não sabe quanto vale um beijo... aprendam...) e com isto prosseguirá algo que é cada vez mais visível e gritante, ou seja, a falta de interesse pelas causas e pelas lutas. Elas existem, acreditem.
Um exemplo: na altura do 17 de Abril, reinvindicava-se fervorosamente um direito que hoje, novamente, corre o risco de nos ser vedado, estudantes -a presença no Senado. Na altura, esta questão era fulcral, todo o estudante a conhecia e, fosse da mais extrema esquerda ou da mais extrema direita, era uma causa pela qual se lutava. Hoje, ninguém sabe, ninguém quer saber.
(vem aí o Euro 2004, viva o Euro no País do futebol, os gregos vêm aí, por favor inventem-nos um novo sistema político, que este já está gasto)